31/3/2010
“Eterna saudade”


“Perdi meu amigo do peito”, disse Nilton Santos, muito emocionado, sobre a notícia do falecimento do jornalista Armando Nogueira. O jogador e o escritor começaram quase ao mesmo tempo no mundo da bola. Nilton tornou-se profissional do Botafogo, único clube que defendeu, em 1948, e Armando iniciou sua carreira na editoria de esportes do Diário Carioca, dois anos mais tarde.

O mundo dos gramados os aproximou e a paixão pelo esporte fez deles grandes amigos. A admiração e o respeito eram mútuos. "Tu, em campo, parecias tantos, e no entanto, que encanto! Eras um só, Nílton Santos", declamou o jornalista, que mais tarde veio a ajudar o eterno craque da lateral esquerda a escolher o título de sua autobiografia “Minha Bola Minha Vida”.

Mas a amizade entre Santos e Nogueira ultrapassava os campos de futebol. Os dois moraram em Copacabana e frenquentavam lugares desfrutando um da companhia do outro. E chegaram até a programarem casamento no mesmo período.

- Pouquíssimas vezes vi o Nilton chorar tanto - disse Maria Coeli, esposa da Enciclopédia.

Armando Nogueira deixará saudades a todos que gostavam de seus versos, de suas idéias, de sua personalidade marcante. Armando deixará boas lembranças àqueles que o conheceram de perto. Mas, certamente, estará bem acompanhado no céu e reencontrará os amigos Sandro Moreira e João Saldanha, onde ainda prosearão bastante.

Em 2007, Armando visitou Nilton Santos quando ele se mudou para uma clínica na Zona Sul. Infelizmente, pouco depois, descobriu que tinha um tumor no cérebro e os dois não se encontraram mais. O contato entre eles era por telefone, mas a distância não muda um sentimento sólido.

Ao amigo, minha eterna saudade. Um dia, a gente se encontra.